Há algum tempo terminei de ler um livro muito interessante que ganhei de uma amiga. O livro fala bastante sobre o modo como vivemos, como nos relacionamos com os outros ao nosso redor, porque sofremos e até mesmo como nos relacionamos com Deus. Porém, as últimas páginas do livro me fizeram pensar bastante sobre um sentimento nativo nas pessoas que, após minutos coçando a cabeça tentando lembrar quando esse sentimento trouxe algum benefício para mim, desisti. Não estou me referindo ao orgulho, inveja ou qualquer outra desgrama de sentimento que carregamos conosco e que só servem para foder com nossa vida. Estou me referindo à Maldita da EXPECTATIVA.
Faça o teste você mesmo: Alguma vez após gerar muita expectativa, as coisas saíram como você queria no final? Hãm? Hein? Hein? Hein?
Vou dar alguns exemplos:
- Você está trabalhando pra cacete, chega cedo, sai tarde, almoça miojo, serve café para o chefe, cria uma puta EXPECTATIVA de ser promovido e após alguns dias… recebe a notícia que o nerd babaca que não fala com ninguém e fede se destacou mais do que você.
- Você fica a semana inteira falando pra Deus e o mundo que vai pra praia no final de semana, olha para o céu e não vê nenhuma nuvem, louco de vontade de perder o “bronze escritório”. Cria uma mega EXPECTATIVA de que vai sair sol e, no sábado, chove mais água do que nas cataratas do Iguaçu.
- Você coloca aquela roupa que te deixa super sexy (pelo menos você acha), sai de casa só no sapatinho, cria uma EXPECTATIVA que a city toda vai olhar pra você e nem o peão mais míope da obra te nota.
- Você está saindo com um(a) gatinho(a) há alguns dias, o beijo é bom, o cheiro é bom, a pegada é boa. Cria uma EXPECTATIVA de que o sexo será fantástico, então você bebe água o dia inteiro pra não ficar desidratado e na hora…você broxa, o cara peida, a menina é fresca e só quer dar de luz apagada, o pinto é pequeno, a menina cria um chimpanzé no meio das pernas, esqueceu de levar camisinha e por aí vai…
- Você passa em frente a uma vitrine de uma loja, fica namorando uma roupa, vai pra casa, fica imaginando como seria ela no corpo, com que camisa ou blusinha vai combinar, vai no outro dia comprar e descobre que era a última peça e que foi vendida.
#FATO – A EXPECTATIVA só fode com nossas vidas.
E ainda dá pra ficar pior, meu caro! É quando trazemos esse sentimento para dentro de nossos relacionamentos! Pronto…a merda está feita.
Constantemente encontro amigos e amigas pelos lugares da vida e, eventualmente, assuntos que envolvem namoro ou rolinhos surgem. As respostas são sempre as mesmas:
Ah, cara, fulana me enche o saco. Ela é grudenta demais. Não rolou.
Porra… eu até que gostava dela, mas ela parecia uma alface na cama. (fica plantada – pra explicar a piadinha)
Fulano não é tudo aquilo que eu pensava. Ele é muito morto, não combina comigo.
Estou citando apenas algumas frases que já escutei e que também já usei quando quis me referir ao término de algum namoro ou lance que tive com alguém. Mas, se analisarmos o porquê que muitos desses “lances” chegam ao fim repentinamente, chegamos à conclusão de que criamos dentro de nós uma EXPECTATIVA em relação ao comportamento e atitudes da pessoa com quem estamos nos envolvendo e, quando algo sai diferente do que esperávamos, pronto… já não presta mais pra gente e é quando nos DECEPCIONAMOS.
É impressionante como colocamos nos “ombros” dos outros a responsabilidade de “nos fazerem” felizes, de nos alegrar, de nos paparicar, de nos ouvir. Automaticamente, despejamos sobre eles uma tarefa que não pediram para ter, cobramos, somos cobrados e, quando sentimos que aquilo que esperávamos não vêm, nos decepcionamos.
Você espera que a pessoa te ligue no dia seguinte, que mande um e-mail, que te procure de alguma forma, que lembre do seu aniversário às 00:00h. Você espera um mega presente no dia dos namorados, no Natal. Espera uma faixa em comemoração ao aniversário de namoro. Espera que te procure após uma briga, mesmo estando errada, espera que ele(a) fale e seja completamente simpático(a) e descolado(a) com sua família e amigos, espera que seja sensível nos dias que você mais precisa, espera que ele goste das mesmas coisas que você, espera que ele tenha atitudes de príncipe, espera, espera, espera…
Passamos tanto tempo de nossa vida depositando esperanças e criando expectativas que deixamos de curtir, às vezes, o que a pessoa tem de melhor.
Um pequeno trecho do livro que me chamou atenção e me fez pensar em como muitas vezes julgo as pessoas. Dizia mais ou menos assim: “Se somos amigos, há uma prontidão dentro do nosso relacionamento. Quando nos vemos ou quando estamos separados, há a prontidão de estarmos juntos, de rirmos e falarmos. Essa prontidão não tem definição concreta: é viva, dinâmica e tudo que emerge do fato de estarmos juntos é um dom único que não é compartilhado por mais ninguém. Mas o que acontece se eu mudar “prontidão” por “expectativa”, verbalizada ou não? Subitamente a lei entra em nosso relacionamento. Agora você espera que eu aja de um modo que atenda às suas expectativas. [...] “
Viram como gerar expectativas é um ato que pode ferrar com tudo? E quando NÃO atendemos às expectativas de alguém? Também é ruim, né? Nos sentimos um lixo.
Nas páginas seguintes, o livro detalha a forma de viver em “prontidão” conforme citado acima e, após terminar a leitura, tenho plena certeza que viver o HOJE é bem mais fácil do que pensar no amanhã. Não fico mais sentindo o prego sem nem estar na cruz. Não deposito em ninguém nenhuma expectativa, não espero que ninguém me traga rosas, ou que seja da forma que imaginei. Curto o agora, o momento que estou tendo ao lado dele, deixo ele se mostrar, se expor, mostrar quem verdadeiramente é e, após isso, vejo se aquilo me faz bem ou não.
E garanto para vocês: é muito mais fácil viver sem esperar nada dos outros. Saber que aquele que está ao meu lado não tem obrigação alguma de fazer nada por mim a não ser o que ele queira fazer. É algo que me deixa mais confortável e automaticamente também o deixa. A única responsabilidade que fica é “VAMOS CURTIR”. Aproveito mais, conheço mais, aprendo mais, vejo mais, observo mais, me conheço mais e… me decepciono menos.
Claro que existem casos e casos. Não podemos levar isso ao pé da letra todos os dias, até porque seria impossível não esperar nada de algo ou alguém pra sempre, mas podemos sim ser mais “flexíveis” e gentis com nós mesmos.
E você, cara leitora, já se ferrou muito por gerar expectativas sobre tudo? Conheço pessoas que procuraram tratamento porque não conseguiam ficar com ninguém sem achar um defeito e acabavam trocando de namorado(a) como se trocassem de roupa.
Enquanto estão pensando, curtam um sonzinho pra começar bem o dia...

Nao tme cmo nao criar expectartiva na vida, se fruta ou não e melhor correr o risco do que achar que poderia ser diferente.
ResponderExcluirCarol